Constipação

 em Geral

A função intestinal varia bastante, não apenas de um indivíduo para outro, mas também no mesmo indivíduo em momentos diferentes. A função intestinal pode ser afetada pela dieta, pelo estresse, por drogas, por doenças e inclusive por padrões sociais e culturais. Na maioria das sociedades ocidentais, o número normal de evacuações varia de 2 a 3 por semana até 2 a 3 por dia. As alterações da freqüência, da consistência ou do volume das evacuações ou a presença de sangue, muco, pus ou um excesso de matéria gordurosa (óleo, gordura) nas fezes podem indicar uma doença.
Constipação
A constipação é um distúrbio no qual o indivíduo apresenta evacuações desconfortáveis ou pouco freqüentes. O indivíduo com constipação produz fezes duras, cuja eliminação pode ser difícil. Ele também pode sentir como se o reto não tivesse sido totalmente esvaziado. A constipação aguda tem um início súbito e de modo perceptível. Por outro lado, a constipação crônica pode começar de modo insidioso e pode persistir por meses ou anos.

Freqüentemente, a causa da constipação aguda é apenas uma alteração recente da dieta ou uma diminuição da atividade física (p.ex., quando o indivíduo permanece no leito por um ou dois dias devido a uma doença). Muitos medicamentos podem causar constipação como, por exemplo, o hidróxido de alumínio (princípio ativo comum de antiácidos de venda livre), sais de bismuto, sais de ferro, anticolinérgicos, antihipertensivos, narcóticos e muitos tranqüilizantes e sedativos.

Ocasionalmente, a constipação aguda pode ser causada por problemas graves como, por exemplo, a obstrução do intestino grosso, o suprimento insuficiente de sangue para o intestino grosso e uma lesão nervosa ou medular. A atividade física escassa e a dieta pobre em fibras são causas comuns da constipação crônica. Outras causas incluem a hipoatividade tireoidiana (hipotireoidismo), a concentração elevada de cálcio no sangue (hipercalcemia) e a doença de Parkinson. A redução das contrações do intestino grosso (cólon inativo) e o desconforto durante a defecação também levam à constipação crônica. Os fatores psicológicos são causas comuns de constipação aguda e crônica.

Tratamento

Quando a causa da constipação for uma doença, esta deve ser tratada. Caso contrário, a constipação é melhor prevenida e tratada com uma combinação de exercícios adequados, uma dieta rica em fibras e o uso ocasional de medicamentos adequados. São excelentes fontes de fibras os vegetais, as frutas e o farelo de cereais. Muitas pessoas consideram útil salpicar duas ou três colheres de chá de farinha integral ou de um cereal rico em fibras sobre as frutas, duas ou três vezes ao dia. Para serem eficazes, as fibras devem ser consumidas juntamente com uma grande quantidade de líquido.

Laxantes

Muitas pessoas utilizam laxantes para aliviar a constipação. Alguns são seguros para o uso prolongado e outros somente devem ser usados ocasionalmente. Alguns são úteis para prevenir a constipação e outros podem ser utilizados para tratála. Os agentes formadores de volume (farelo de cereais, psílio, policarbófilo de cálcio e metilcelulose) adicionam volume às fezes.

O volume maior estimula as contrações naturais do intestino, e as fezes volumosas são mais moles, sendo eliminadas mais facilmente. Os agentes formadores de volume atuam de forma lenta e suave e representam uma das formas mais seguras para promover evacuações regulares. Em geral, primeiramente esses agentes são tomados em pequenas quantidades. A dose é aumentada gradualmente até que ocorra regularização. O uso desses agentes de volume sempre exige a ingestão de muito líquido. Os emolientes fecais (p.ex., docusato) aumentam a quantidade de água retida pelas fezes.

Na verdade, esses laxantes são detergentes que diminuem a tensão superficial das fezes, permitindo que a água penetre com mais facilidade no bolo fecal, amolecendoo. O volume maior estimula as contrações naturais do intestino grosso e ajuda no deslocamento das fezes amolecidas para fora do corpo. O óleo mineral amolece as fezes e facilita a sua eliminação do corpo. Entretanto, ele também pode diminuir a absorção de determinadas vitaminas lipossolúveis. Se o indivíduo aspirar acidentalmente o óleo mineral, pode ocorrer uma irritação pulmonar grave. Além disso, o óleo mineral extravasa através do reto.

Os agentes osmóticos atraem grandes quantidades de água para o intestino grosso, tornando as fezes moles e frouxas. O excesso de líquido também distende as paredes do intestino grosso, estimulando as contrações. Esses laxantes são sais (normalmente de fosfato, de magnésio ou sulfato) ou açúcares que quase não são absorvidos (p.ex., lactulose e sorbitol). Alguns agentes osmóticos contêm sódio. Eles podem causar retenção líquida em indivíduos com doença renal ou insuficiência cardíaca, sobretudo quando esses agentes são administrados em altas doses ou freqüentemente.

Os agentes osmóticos que contêm magnésio e fosfato são parcialmente absorvidos para o interior da corrente sangüínea e, conseqüentemente, são nocivos para os indivíduos com insuficiência renal. Esses laxantes, que geralmente agem no prazo de três horas, são mais adequados para tratar a constipação do que para prevenila. Eles também são utilizados para se eliminar as fezes do intestino antes da realização de radiografias do trato digestivo (gastrointestinal) e antes de uma colonoscopia (exame do intestino grosso com o auxílio de um tubo de visualização flexível). Os laxantes estimulantes estimulam diretamente as paredes do intestino grosso, provocando sua contração e deslocando as fezes.

Esses laxantes contêm substâncias irritantes como, por exemplo, a sena, a cáscara sagrada, a fenolftaleína, o bisacodil ou o óleo de mamona. Geralmente, eles provocam a evacuação de fezes semisólidas em 6 a 8 horas, mas freqüentemente produzem cólicas. Sob a forma de supositórios, esses laxantes normalmente agem em aproximadamente 15 a 60 minutos. O uso prolongado de laxantes estimulantes pode lesar o intestino grosso.

Além disso, os indivíduos podem tornarse dependentes de laxantes estimulantes, desenvolvendo a síndrome do intestino preguiçoso. Freqüentemente, os laxantes estimulantes são utilizados para esvaziar o intestino grosso antes da realização de procedimentos diagnósticos e para prevenir ou tratar a constipação causada por medicamentos que reduzem as contrações do intestino grosso (p.ex., narcóticos).

Constipação Psicogênica
Muitas pessoas acreditam ter constipação quando não evacuam diariamente. Outras pensam que têm constipação quando o aspecto ou a consistência das fezes lhes parece anormal. Entretanto, evacuações diárias não são necessariamente normais e evacuações menos freqüentes não indicam necessariamente algum problema, exceto quando elas representam uma alteração importante do padrão de evacuação prévio. O mesmo é válido para a cor e a consistência das fezes. A não ser que haja uma alteração substancial dessas características, o indivíduo provavelmente não apresenta constipação.

Essas concepções errôneas sobre a constipação podem levar a um tratamento excessivo, especialmente no que diz respeito ao uso prolongado de laxantes estimulantes, de supositórios irritantes e de enemas. Este tratamento pode lesar gravemente o intestino grosso, acarretando a síndrome do intestino preguiçoso e a melanose do cólon (alterações anormais do revestimento do intestino grosso causadas por depósitos de um pigmento).

Antes de estabelecer o diagnóstico de constipação psicogênica, o médico deve primeiramente assegurarse de que não existe nenhum problema orgânico subjacente que possa ser responsável pelas evacuações irregulares. Pode ser necessária a realização de exames diagnósticos, como a sigmoidoscopia (exame do cólon sigmóide com o auxílio de um tubo de visualização flexível) ou um enema baritado. Quando não existe um problema orgânico subjacente, o indivíduo deve aceitar o seu padrão de evacuação e não insistir para conseguir um padrão mais irregular.

FONTE: Manual Merck da Família

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